Famílias em luto: a dor e a culpa que se sente quando um dos nossos acaba com a vida

O suicídio tende a ser uma das experiências mais avassaladoras e traumáticas que uma família pode vivenciar ao longo de toda a sua vida e, neste sentido, os processos de luto que são gerados por este ato associam-se a um risco elevado de patologia.

Um exemplo do sofrimento atroz vivenciado é que alguns membros da família recorrem eles próprios ao suicídio como estratégia para terminar o sofrimento. As investigações revelam também que a vivência do suicídio se encontra associada ao desenvolvimento de ansiedade, sintomatologia depressiva e dificuldades escolares na infância e a comportamentos de risco, como o consumo de álcool e drogas, na adolescência.

Estes processos de luto são repletos de sentimentos de culpa, vergonha e revolta. O estigma social facilita ainda a presença de sentimentos de rejeição e o consequente recurso ao isolamento social. Na maioria das vezes, a ausência de suporte social facilita a presença e a magnificação dos sentimentos de culpa e de vergonha, acompanhados por uma enorme sensação de estar sozinho e ser incompreendido pelos outros.

Por acréscimo ao reduzido suporte social, a própria família sofre ruturas nas suas dinâmicas. O sofrimento envolve uma diminuição da coesão familiar e, numa casa cheia de pessoas, cada um dos seus membros pode sentir-se sozinho, invisível aos olhos do outro.

É importante recordar que, em Portugal, a taxa de suicídio atinge os cerca de 10 suicídios por 100.000 habitantes, o que significa que, apenas num dia, suicidam-se cerca de 3 pessoas. Se tivermos em consideração que, por cada falecimento, existem cerca de 6 pessoas em luto, significa que cada vez que uma pessoa comete suicídio, inúmeras famílias são abaladas por um horror indescritível.

Uma vez que as famílias sobrevivem ao suicídio, mas nunca à dor originada por esta perda violenta, a ajuda psicológica precoce tende a ser benéfica. No contexto da consulta especializada de apoio ao luto, um lugar seguro e totalmente ausente de julgamentos, são providenciadas ferramentas para auxiliar na gestão do sofrimento do próprio e das mudanças nas dinâmicas familiares.

AUTORES: Os psicólogos Sofia Gabriel e Mauro Paulino da MIND | Instituto de Psicologia Clínica e Forense, a qual disponibiliza nos seus serviços consulta especializada de apoio ao luto.

MIND - Mauro PaulinoMauro Paulino – Psicólogo Clínico e Forense
Coordenador da Mind | Psicologia Clínica e Forense

MIND - Sofia GabrielSofia Gabriel – Psicóloga Clínica
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PALAVRAS-CHAVE: Família; Luto; Morte; MIND; Psicologia; Forense; Clínica; Suicídio; Mauro Paulino; Sofia Gabriel;