É possível tornar as superfícies resistentes à contaminação por SARS-CoV-2 (COVID-19)?

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (Environmental Protection Agency, EPA), é uma entidade que regula as alegações existentes nos rótulos dos produtos biocidas, onde se incluem os desinfetantes. Os desinfetantes registados na EPA, que eliminam os microrganismos em superficies, neste caso particular o coronavírus, SARS-CoV-2, apenas o fazem no momento em que são utilizados. Após a utilização, se novas partículas virais entrarem em contacto com a superfície, o desinfectante previamente aplicado não protegerá contra essas novas partículas, ou seja, não poderá garantir que o local não fique de novo contaminado, não tornando assim as superfícies resistentes à contaminação, como diversos produtos assim o atestam, incorretamente.

A EPA não avaliou e nem validou a eficácia de quaisquer produtos desinfetantes que afirmam uma eficácia duradoura contra vírus. Por conseguinte, não existem produtos registados na EPA, com alegações de rótulo que sejam eficazes contra vírus ao longo de horas, dias ou até meses (ou seja, alegações de eficácia “residual” ou “de longa duração”).

Existem alguns biocidas antimicrobianos que a EPA chama de conservantes de materiais, conhecidos para proteger o próprio material do bolor ou bactérias, que podem causar odor, descoloração ou deterioração. Mas, este tipo de aplicação ou tratamento, não pode alegar que são eficazes contra vírus e bactérias que causam doenças a humanos. Isto significa que não são apropriados para controlar a COVID-19, logo, não são eficazes, com eficácia residual e que possam tornar resistentes à contaminação as superficies.

Infelizmente na Europa, não existe uma entidade ao nível da EPA – Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, que possa controlar as alegações que os fabricantes dos produtos biocidas desinfetantes apresentam, pois bem sabemos que tudo é deixado à mercê do que os fabricantes atestam, onde muitas das vezes não possuem testes independentes que possam comprovar as suas alegações.

Em Portugal é tudo muito simples, sem qualquer controlo, quer por parte da DGS – Direção-Geral da Saúde, quer por parte de outra terceira entidade fiscalizadora, senão vejamos: Para efetuar o registo de um produto biocida desinfetante, é tão simples que basta enviar o rótulo do mesmo, com as alegações de eficácia que se quiserem lá colocar, sem nenhuma entidade requisitar provas independentes que comprovem tais alegações. Se um desinfetante colocar no seu rótulo que elimina em 5 segundos um determinado microrganismo e que tem uma eficácia residual de 6 meses, ninguém irá solicitar documentos independentes que o aprovem. É tão simples certo!?

Existe uma grande diferença entre notificar um produto e entre validar a eficácia de um produto notificado ou registado. Em Portugal apenas se efetua a notificação, por assim chamar o registo, não é realizada nenhum tipo de validação e análise à eficácia que os desinfetantes atestam. Algo que seria simples, bastava solicitar todos os testes independentes, onde estivessem todas as alegações de eficácia que o produto apresenta no seu rótulo no ato da sua notificação.

A DEATHCLEAN, para além de adquirir apenas produtos biocidas desinfetantes previamente notificados junto da DGS ou da DGAV – Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária, solicita obrigatoriamente, a todos os fabricantes ou responsáveis pela colocação do produto no mercado, todos os testes efetuados por laboratórios privados, comprovando assim todas as alegações de eficácia que os desinfetantes “comercialmente” apresentam.

E, para nossa surpresa, a maioria deles não apresentam tais testes, nunca os realizaram e até comercializam produtos biocidas sem o devido registo na DGS ou DGAV, com o total desconhecimento e ausência de fiscalização das entidades nacionais.

Depois, é o que se assiste, produtos desinfetantes a serem pulverizados sem qualquer conhecimento da ação incorreta que se está a realizar e sem conhecimento, comprovado, do que realmente elimina e em como foi testado, independentemente, esses produtos. Simplesmente se usa e pronto, e o cliente fica contente!

Isto sem falar que todos eles são testados sobre superfícies limpas e não porosas, em um ambiente laboratorial controlado, logo como é que é possível que se pulverizem produtos que se desconhecem como foram testados e até se realmente foram testados de acordo com o que comercialmente se alega. Sem ainda esquecer, a devida preocupação dos tempos de contacto, a prévia limpeza de superficies, métodos de aplicação, temperaturas de aplicação, etc…e isto tudo em reservatórios ambientais e no final, um bonito selo de “local seguro e desinfetado” e com validade para 15, 30, 60, 90 ou mais dias! É incrivel…

Estejam atentos ao que se promete sem comprovar, ao que se faz sem se ter formação e, acima de tudo, ao que se oferece sem saber a sua verdadeira origem!

Fontes: United States Environmental Protection Agency

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