Homicídio: três características que distinguem o luto originado por um crime

O luto é um processo altamente individualizado, cujas reações à perda variam em função de fatores como a natureza da relação mantida com a pessoa perdida, mas também pelas especificidades da perda.

A ciência psicológica afirma que as mortes violentas se encontram associadas a processos de luto tendencialmente mais complexos e associados a patologia, como sintomas de depressão, ansiedade e stress pós-traumático.

A morte por homicídio é, por si só, uma perda considerada violenta para as famílias que se encontram em luto. Ainda que outras mortes, como aquelas originadas por acidentes ou suicídio, possam ser igualmente consideradas violentas, a natureza tendencialmente deliberada e premeditada deste crime facilita que as famílias desenvolvam imagens de violência potencialmente traumáticas associados ao cenário do crime. Tais imagens são altamente prejudiciais ao bem-estar, surgindo na mente da pessoa de forma automática e dificultando o quotidiano.

Em adição à natureza violenta da morte, destacam-se três fatores:

  1. Natureza repentina e inesperada do evento;
  2. Existência de processos judiciais, não raras vezes, morosos;
  3. Natureza pública do crime.

A natureza violenta associada ao homicídio leva a que as pessoas se sintam particularmente sem recursos emocionais para gerir a dor que foi desencadeada por uma perda, na maioria das vezes, totalmente inesperada.

Os processos judiciais, nem sempre céleres, facilitam a existência de sentimentos de falta de controlo, o que intensifica o sofrimento e o desgaste emocional decorrente da perda. Frequentemente, as famílias em luto, envolvidas em burocracias, dispõem de pouco tempo e espaço necessários para processar o evento traumático e para algumas pessoas, o processo de luto é somente iniciado quando terminam os processos legais.

Em terceiro, a natureza frequentemente pública do crime e, inevitavelmente, da experiência de luto facilita que as famílias se sintam fragilizadas e expostas à sociedade, como se não existisse privacidade para estar em contacto com a dor – e que, em algumas situações, pode fomentar os sentimentos de raiva e revolta no processo de luto.

Perante uma dor tão violenta, a ajuda psicológica torna-se particularmente benéfica. Não está sozinho(a). Peça ajuda.

AUTORES: Os psicólogos Sofia Gabriel e Mauro Paulino da MIND | Instituto de Psicologia Clínica e Forense, a qual disponibiliza nos seus serviços consulta especializada de apoio ao luto.

MIND - Mauro PaulinoMauro Paulino – Psicólogo Clínico e Forense
Coordenador da Mind | Psicologia Clínica e Forense

MIND - Sofia GabrielSofia Gabriel – Psicóloga Clínica
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PALAVRAS-CHAVE: Homicídio; Luto; Morte; MIND; Psicologia; Forense; Clínica; Crime, Mauro Paulino; Sofia Gabriel